terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

33rd International Sea Turtle Symposium

Mais uma vez a Comissão Tartaruga Marinha esteve presente no simpósio internacional sobre a investigação e conservação das tartarugasmarinhas. Este ano o encontro, na sua 33ª edição, teve lugar de 2 a 8 de Fevereiro na cidade de Baltimore no estado de Maryland nos EUA. Além de se apresentar um poster com alguns dos novos resultados da investigação também houve a oportunidade de efectuar uma comunicação oral e reunir com os restantes colegas que trabalham em países africanos a fim de planear uma estratégia conjunta, tirando-se partido que o tema deste ano serem as “conexões” pois desde há muito que se sabe que só com essas interligações e uniões é que se poderá atingir a meta desejada, que é a integração das comunidades locais na restauração das populações de tartarugas marinhas para que todos possam cumprir o seu papel ecológico na biosfera que é o Planeta Terra.

Existiu tempo e disponibilidade mutuas para se estabelecer acordos para a prossecução dos objetivos a nível regional e mundial, incluíndo reuniões com os maiores dadores internacionais para a conservação das tartarugas marinhas. Dessas conversas ficou claro que enquanto as diferentes entidades que desenvolvem actividades na ilha do Príncipe, e também em São Tomé, não começarem a trabalhar em conjunto esses apoios dificilmente chegarão. Desta forma é urgente que novas organizações a trabalhar no Príncipe assimilem que devem respeitar e colaborar com as que já se encontravam no terreno pois de contrário, com a sua presente estratégia de “divide and rule”, apenas se está a estragar caminho valioso já atingido e a criar complexidades inúteis que em nada favorecem o clima de unidade que se deve atingir para que o objectivo principal seja atingido, ou seja, o desenvolvimento sustentável da região com a melhoria da qualidade de vida da população e a preservação do meio natural e cultural onde as tartarugas desempenham um papel fulcral.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

E continua o trabalho...


Depois da caracterização das praias de desova de tartarugas marinhas na ilha do Príncipe, e respectiva abundância e densidade de tartarugas e ameaças por praia (link), é tempo agora para continuar a caracterização das populações de tartarugas que habitam as águas ao redor da ilha. O biólogo marinho responsável por esses estudos, Rogério Ferreira, procura detectar as áreas de maior importância para a conservação destes animais, à semelhança com o efectuado nas praias anteriormente, de modo a dotar o governo regional com dados compreensivos sobre estes animais e que poderão ajudar na gestão desta nova Reserva da Biosfera (UNESCO). Este trabalho, voluntário pois não existe qualquer tipo de financiamento a apoiá-lo, efectua-se em colaboração com o Parque Natural (CTM), pescadores submarinos do grupo Dragões do Mar, o Centro “Archie Carr” para a Investigação das Tartarugas Marinhas (ACCSTR - USA) e o Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve.

 
Rogério Ferreira é bolseiro de Doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia, Portugal, e Membro do Grupo de Especialistas em Tartarugas Marinhas da UICN (MTSG) e da Sociedade Internacional Tartarugas Marinhas (ISTS).

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Biologia e Conservação das Tartarugas

Membros da Comissão Tartaruga Marinha da Ilha do Príncipe participaram no Curso de Formação em Biologia e Conservação das Tartarugas Marinhas, que teve lugar nos dias 6 a 8 de Agosto no Príncipe e foi administrado pela Joana Hancock da ATM. É com gratificação e esperança que finalmente vemos a conservação deste répteis ameaçados a avançar na região.


terça-feira, 31 de julho de 2012

Artesanato como Alternativa à Captura de Tartarugas

A elaboração de artesanato já começou, embora iniciado apenas com uma família da Zona Sul outros membros da comunidade já mostraram interesse e alguns já se juntaram na iniciativa. Esta acção visa a dinamização do artesanato como fonte de rendimento alternativo, usando as tartarugas marinhas como tema e não como matéria-prima.


A formação de um grupo de rendeiras e bordadeiras é outro objectivo e, igualmente com o restante artesanato, consistirá principalmente em possibilitar uma outra fonte de rendimento feminino. Neste ponto, como em outros, o exemplo e a colaboração com o "Projeto Tamar", no Brasil, será uma contribuição importante visto a integração comunitária que executa com as suas actividades ser reconhecida a nível mundial como uns dos caminhos de sucesso a seguir na conservação das tartarugas marinhas e seus habitats.


Com investimento no turismo natural e cultural que existe actualmente na Ilha do Príncipe, que inclui a reabilitação de antigas roças e a construcção de um aeroporto internacional, espera-se que o fluxo de visitantes aumente (actualmente insignificante) e que por isso as alternativas à captura de tartarugas marinhas possam vir a ser uma realidade. Acresce o facto da Ilha do Príncipe ser agora Reserva da Biosfera.

As tartarugas marinhas são espécies transfronteiriças, dessa forma colaborações entre países tornam-se necessárias pois não adianta estar a protege-las no Brasil quando as mesmas usam, ou usarão, as águas do Golfo da Guiné onde continuam a ser capturadas publicamente. 

Sensibilização das Comunidades Piscatórias

A Comissão Tartaruga Marinha (CTM) é uma iniciativa local que apareceu, dentro do Parque Natural do Príncipe, para contribuir no apoio e reforço das acções relacionadas com as tartarugas marinhas. Em seguimento a este objectivo, e porque a época de desova se aproxima, procedemos a uma sensibilização de várias comunidades onde relembrámos o esforço do Governo Regional na protecção das tartarugas marinhas e biodiversidade em geral.

Desta foi apresentado um vídeo de 27 minutos, cedido pelo “Projeto TAMAR” do Brasil, onde relata a história de um projecto de conservação de tartarugas marinhas com mais de 30 anos de funcionamento e o sucesso do mesmo. O DVD, e outros vídeos do TAMAR, permanecerão nas comunidades bem como uma cópia da Legislação Regional sobre a protecção destes animais pois temos recebido várias sugestões para a sua divulgação.
 

As comunidades inicialmente alvo da sensibilização, embora tenha estado aberto a todos que queiram comparecer, foi a Praia Burra e Abade, o Hospital Velho e a Ponta do Sol. Assim na passada Sexta-feira, 13 de Julho, estivemos pelas 10h na Praia Burra e pelas 14h na Ponta do Sol. No Sábado pelas 10h estivemos no Hospital Velho e pelas 14h na Praia Abade.

Como a CTM ainda não possuí financiamento, apenas alguns donativos que não dão para suportar todas as actividades em funcionamento, pedimos apoio ao Governo Regional que nos cedeu o transporte para as localidades e que muito agradecemos. As televisões, dvd's, geradores e espaço foram gentilmente cedidos pelos membros das comunidades visitadas.

Durante a actividade a CTM registou várias questões, sugestões e preocupações colocadas pelas pessoas que participaram e que passamos a relatar o melhor que pudemos, são elas:

- Muitas vezes as tartarugas caem na rede e a danificam. Como é proibido ficar com a tartaruga para vender ou comer, e que devido à protecção das tartarugas esperar-se que cada vez vá haver mais tartarugas e mais redes a serem danificadas, foi sugerido que o pescador fosse indemnizado por essa interacção;

- Uma das formas de obter o apoio dos pescadores, para a conservação das tartarugas marinhas, seria o aparecimento de uma loja de material de pesca onde o pescador pudesse adquirir material a um preço mais acessível, que de alguma forma possa compensar a proibição do uso das tartarugas marinhas;

- Criação de um representante/comissário da CTM em cada comunidade. Essa pessoa estaria em contacto directo com a CTM e qualquer interacção com tartarugas, sugestões, reclamações e preocupações seriam assim reportados;

- Como o Príncipe é agora património mundial da biosfera, e onde desde há muito existe a motivação do Governo regional na protecção e valorização da biodiversidade da ilha, as comunidades deveriam ser alvo de formação nesse sentido a fim de aproveitar as várias oportunidades económicas que poderão surgir no futuro com o aumento do número de visitantes.

Durante os próximos tempos, e para não arrefecer o esforço iniciado, iremos continuar a sensibilização de outras comunidades e a procura de apoios para a execução dos projectos da CTM.

Inocêncio Rosa Anjo dos Prazeres
Presidente da CTM - Príncipe